{"id":819,"date":"2021-09-20T20:10:05","date_gmt":"2021-09-20T23:10:05","guid":{"rendered":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/?p=819"},"modified":"2021-09-20T20:15:03","modified_gmt":"2021-09-20T23:15:03","slug":"elementor-819","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/elementor-819\/","title":{"rendered":"Breve Hist\u00f3ria da Aromaterapia"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"819\" class=\"elementor elementor-819\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0355da6 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0355da6\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8d43a45\" data-id=\"8d43a45\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c6f7049 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c6f7049\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>N\u00e3o podia come\u00e7ar esse texto sem comentar que as plantas s\u00e3o as principais protagonistas desta hist\u00f3ria. Desde os tempos da Idade da Pedra Lascada (5000 a 1000 a.C.) o ser humano passou a se relacionar de v\u00e1rias formas com as plantas, buscando conhecer melhor suas potencialidades e propriedades. E assim, inicia-se essa rela\u00e7\u00e3o pelo conhecimento do que \u00e9 comest\u00edvel, quais plantas s\u00e3o venenosas, quais auxiliam no tratamento de doen\u00e7as e podem ser utilizadas como rem\u00e9dios.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>A partir desse momento, as possibilidades de usos das plantas passam a ser as mais variadas. Mas foi na Mesopot\u00e2mia e no Egito (3000 a.C.) que as plantas realmente&nbsp; entraram para a hist\u00f3ria com a categoria de Plantas Medicinais e Arom\u00e1ticas. E uma curiosidade \u00e9, que nesta \u00e9poca, as doen\u00e7as eram atribu\u00eddas a um pecado cometido e por esse motivo um dem\u00f4nio havia se apoderado do corpo do doente e tudo que ele estava passando tinha um prop\u00f3sito dos Deuses (Dias, 2007). Portanto, as plantas arom\u00e1ticas, as que tinham um odor agrad\u00e1vel, eram usadas para pedir prote\u00e7\u00e3o aos Deuses e as com odor desagrad\u00e1vel, eram usadas para espantar animais ou deuses mal\u00e9ficos (Camargo, 2005\u03382006).&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 sabido que nesta \u00e9poca os corpos dos fara\u00f3s e de pessoas importantes eram embalsamados utilizando resinas de plantas arom\u00e1ticas. Quando a tumba do Rei Tutankamon foi descoberta e aberta, foi poss\u00edvel sentir, ap\u00f3s milhares de anos, o aroma das resinas dos incensos enterrados com ele (Bockley, Evershed, 2001). Al\u00e9m disso, seus restos mortais ainda estavam bem conservados, considerando os milhares de anos j\u00e1 passados, e hoje se sabe que essa conserva\u00e7\u00e3o foi devido a a\u00e7\u00e3o antimicrobiana de certos \u00f3leos essenciais. Cleopatra \u00e9 outra figura importante neste per\u00edodo e que hoje \u00e9 lembrada por seu conhecimento e versatilidade no uso das plantas arom\u00e1ticas em suas pinturas, banhos, massagens e at\u00e9 mesmo em rituais.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Na \u00cdndia, a 3.000 \u2013 2.000 a.C. os tratamentos Ayurv\u00e9rdicos famosos pelos banhos e massagens terap\u00eauticas listaram a utiliza\u00e7\u00e3o de mais de 700 plantas medicinais e arom\u00e1ticas como a Canela (Cinnamomum cassia), o Gengibre (Zingiber officinale), a Mirra (Commiphora myrrha), o Manjeric\u00e3o (Ocimum sp.) e o S\u00e2ndalo (Santalum album) que eram indicados com finalidades medicinais por m\u00e9dicos indianos para seus pacientes.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Na China, por volta de 2.500 \u2013 2.700 a.C, o imperador Shen Nung j\u00e1 relatava ensaios e an\u00e1lises da composi\u00e7\u00e3o de extratos de ervas. O Erb\u00e1rio de Shen-Nung\u202f(Shen Nung\u2019s Herbal)\u202ftraz um dos textos m\u00e9dicos mais antigos. No entanto, a China dedicou-se ao desenvolvimento de uma medicina mais tradicional que considera exerc\u00edcios f\u00edsicos, h\u00e1bitos de vida mais saud\u00e1veis que imprimem um olhar mais integrativo do funcionamento do corpo humano do que a aromaterapia.&nbsp;&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Os gregos e os romanos, em 500 a.C. a 27 a.C., eram adeptos ao uso das plantas arom\u00e1ticas para finalidades medicinais. Os gregos tiveram uma influ\u00eancia dos conhecimentos eg\u00edpcios e os romanos iam absorvendo a cultura dos povos que eram conquistados em suas batalhas. Hip\u00f3crates e Galeno, dois dos maiores m\u00e9dicos da antiguidade grega, indicavam Tomilho (Thymus vulgaris), Manjerona (Origanum majorana), Cominho (Cuminum cyminum), Camomila (Matricaria recutita), Cipreste (Cupressus sempervirens), Hortel\u00e3 (Mentha piperita), para banhos arom\u00e1ticos, tratamentos das articula\u00e7\u00f5es. Quando o Imp\u00e9rio Romano \u00e9 estabelecido, vem a populariza\u00e7\u00e3o das termas, as casas de banhos p\u00fablicas. A \u00e1gua era aquecida e plantas arom\u00e1ticas como Alecrim (Rosmarinus officinalis), S\u00e1lvia comum (Salvia officinalis), Tomilho (Thymus vulgaris) eram utilizadas devido suas propriedades terap\u00eauticas (Tisserand, 1993).&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Em 1000 d.C. o fil\u00f3sofo e m\u00e9dico \u00e1rabe Avicena escreveu 240 livros com indica\u00e7\u00f5es de usos de plantas medicinais e, possivelmente, foi o primeiro a destilar \u00f3leo essencial de rosa e a aperfei\u00e7oar a destila\u00e7\u00e3o. Aqui, come\u00e7a a ser usado \u00f3leo essencial 100% puro, j\u00e1 que at\u00e9 ent\u00e3o as plantas eram maceradas com \u00f3leo vegetal de oliva. Paracelsus, outro m\u00e9dico \u00e1rabe e tamb\u00e9m grande estudioso das plantas, foi o primeiro a utilizar o termo \u201c\u00f3leo essencial\u201d e quando ele usa esse termo ele est\u00e1 se referindo a \u201cess\u00eancia da planta\u201d a sua \u201calma\u201d (Cozarra, 2002).&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Na Europa, no per\u00edodo da primeira guerra e p\u00f3s-guerra, a escassez de rem\u00e9dios, os pre\u00e7os elevados e os efeitos adversos causados pelos medicamentos, levaram a uma retomada dos estudos sobre terapias naturais. Na Fran\u00e7a, em 1910 em Lyon, o qu\u00edmico da perfumaria francesa Ren\u00e9-Maurice Gattefoss\u00e9 criou o termo \u201caromath\u00e9rapie\u201d com o objetivo de descrever o uso terap\u00eautico dos aromas. Os livros de Gattefoss\u00e9 demonstraram o desenvolvimento de uma aromaterapia baseada na utiliza\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica e olfativa abrindo perspectivas para uma aromaterapia mais cient\u00edfica.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Muitos sites e blogs comentam sobre o acidente ocorrido com Gattefoss\u00e9 em uma explos\u00e3o, mas a verdadeira hist\u00f3ria, poucos relatam. Realmente houve uma explos\u00e3o na f\u00e1brica onde Gattefoss\u00e9 queimou seus bra\u00e7os ficando gravemente ferido e foi tratado pela medicina tradicional. Os ferimentos foram t\u00e3o graves que em pouco tempo suas feridas foram infectadas pela bact\u00e9ria clostridium perfringens, respons\u00e1vel por necrosar os tecidos da nossa pele. Gattefoss\u00e9 ent\u00e3o, decidiu se tratar com os conhecimentos tradicionais e come\u00e7ou a aplicar \u00f3leo essencial de lavanda em suas feridas. Logo houve uma melhora muito significativa dos ferimentos e desta forma ele comprovou que o \u00f3leo essencial de lavanda francesa possui propriedades cicatrizantes e antiss\u00e9pticas1,2.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>O legado deixado por Gattefoss\u00e9 s\u00f3 veio a ter reconhecimento quando o Dr. Jean Valnet (1920-1994), cirurgi\u00e3o do ex\u00e9rcito, que serviu como m\u00e9dico na frente da armada francesa nas muralhas chinesas tratou les\u00f5es dos soldados feridos pela guerra, por falta de antibi\u00f3ticos, com \u00f3leos essenciais tais como Lim\u00e3o, Camomila, Eucalipto e suas propriedades antiss\u00e9pticas permitiram salvar muitas vidas. Em 1964 publicou a obra Aromath\u00e9rapie que em ingl\u00eas recebeu o t\u00edtulo de The practice of aromatherapy (Tisserand, 1993).&nbsp; Valnet deixou seu legado por meio de alunos como Paul Belaiche e Jean Claude Lapraz.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Na Inglaterra, a enfermeira e assistente cir\u00fargica Marguerite Maury (1895-1994) resgatou os ensinamentos antigos sobre o uso dos \u00f3leos essenciais na forma de massagens de acordo com as necessidades individuais de cada um, bem como temperamento e personalidade. Assim, nasce a prescri\u00e7\u00e3o individual para \u00f3leos essenciais. Essa vis\u00e3o hol\u00edstica para a utiliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos essenciais foi introduzida por duas ex-alunas de Maury, Micheline Arcier e Daniele Ryman, na d\u00e9cada de 70\u2019 (Festy, 2021).&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Ainda na d\u00e9cada de 70\u2019, a \u201cimpress\u00e3o digital\u201d dos \u00f3leos essenciais \u00e9 descoberta por Pierre Franchomme, pesquisador e aromat\u00f3logo. Podemos dizer que o quimiotipo &#8211; corresponde a identidade bot\u00e2nica e bioqu\u00edmica de cada \u00f3leo essencial &#8211; s\u00e3o caracter\u00edsticas bot\u00e2nicas de cada esp\u00e9cie de planta e suas propriedades qu\u00edmicas. E a partir desta descoberta nasce a aromaterapia \u201cmoderna\u201d, baseada em perfis cromatogr\u00e1ficos que especificam e quantificam os compostos presentes nos \u00f3leos essenciais considerando aspectos ambientais como clima, altitude, tipo, manejo de solo, dentre outras, tanto das plantas nativas como tamb\u00e9m das cultivadas (Giraud, 2018).&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Foi, e tem sido, necess\u00e1rio o avan\u00e7o de tecnologias ao longo dos anos para se elucidar cientificamente o que nossos s\u00e1bios antepassados j\u00e1 conheciam e divulgavam: os \u00f3leos essenciais s\u00e3o ricos em propriedade antivirais, antiss\u00e9pticas, bactericidas, fungicidas, anti-inflamat\u00f3rias e outras. Estas propriedades, somadas \u00e0s formas de utiliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos essenciais, (arom\u00e1tica, t\u00f3pica e ingest\u00e3o) nos auxiliam em tratamentos complementares para o bem-estar f\u00edsico e emocional. E mesmo hoje, em 2021, \u00e9 muito prov\u00e1vel que conhe\u00e7amos o equivalente a uma gota no oceano sobre a aromaterapia. Simplesmente surpreendente!&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p><b>Refer\u00eancias:&nbsp;<\/b><\/p><p><br><\/p><p>Bockley, S. A.; Evershed, R. P. Organic chemistry of embalming agentes in Pharaonic and Graeco-Roman mummies. Nature. V. 413, n.6858, p.837-841, 2001.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Camarco, M. T. L. de A.. As plantas medicinais e o sagrado: a etnofarmacobot\u00e2nica em uma revis\u00e3o historiogr\u00e1fica da medicina popular no Brasil. 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o \u2013 S\u00e3o Paulo, 2014.&nbsp;&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Corazza, S. Aromacologia: uma ci\u00eancia de muitos cheiros. 1\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Editora Senac, 2002.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Dias, J. P. Sousa. Hist\u00f3ria da farm\u00e1cia e dos medicamentos. Ricardo Fernandes de Menezes (Org.). Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.farmacia.ufrj.br\/consumo\/leituras\/lm_historiafarmaciamed.pdf. Acesso em 01-09-2021.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Festy, D.. A b\u00edblia dos \u00f3leos essenciais. Tradu\u00e7\u00e3o de Mayra Corr\u00eaa e Castro.&nbsp; Belo Horizonte, Laszlo, 2021&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Giraud, A. M.. \u00d3leos essenciais e c\u00e2ncer: Uma abordagem terap\u00eautica inovadora e natural. Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Lucia Ramalho Merc\u00ea. Belo Horizonte: Editora Laszlo, 2018.&nbsp;<\/p><p><br><\/p><p>Tisserand. R. A arte da aromaterapia. 13 ed. S\u00e3o Paulo, Editora Roca, 1993.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o podia come\u00e7ar esse texto sem comentar que as plantas s\u00e3o as principais protagonistas desta hist\u00f3ria. Desde os tempos da Idade da Pedra Lascada (5000 a 1000 a.C.) o ser humano passou a se relacionar de v\u00e1rias formas com as plantas, buscando conhecer melhor suas potencialidades e propriedades. 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