{"id":2420,"date":"2023-03-30T08:11:44","date_gmt":"2023-03-30T11:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/?p=2420"},"modified":"2023-03-30T08:11:46","modified_gmt":"2023-03-30T11:11:46","slug":"o-que-e-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/o-que-e-doenca\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 doen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2420\" class=\"elementor elementor-2420\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-dfee466 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"dfee466\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ffa56dc\" data-id=\"ffa56dc\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1dd3271 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"1dd3271\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-868d6e4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"868d6e4\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-50c05c4\" data-id=\"50c05c4\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4e37627 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4e37627\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u201cO que \u00e9 a doen\u00e7a\u201d parece uma pergunta simples, mas apenas parece. A doen\u00e7a pode ser considerada desordem ou disfun\u00e7\u00e3o, mas para entendermos a desordem ou a disfun\u00e7\u00e3o precisamos entender qual seria a ordem e qual seria a fun\u00e7\u00e3o. Normalmente, se apreendem as evid\u00eancias desse conjunto de elementos a partir do que, na \u00e1rea da sa\u00fade, chamamos sinais e sintomas. Sinais s\u00e3o os aspectos observados pelo profissional da sa\u00fade e sintomas s\u00e3o as queixas dos pacientes. Chamamos sintomatologia o conjunto de sinais e sintomas. F\u00e1cil, n\u00e9? Nem tanto. Dor de cabe\u00e7a \u00e9 um sinal ou um sintoma? Como \u00e9 o paciente quem relata, trata-se de um sintoma; incha\u00e7o e vermelhid\u00e3o s\u00e3o sinais, uma vez que podem ser vistos por outras pessoas que n\u00e3o o pr\u00f3prio paciente. Sintomas s\u00e3o sentidos, portanto, considera-se de car\u00e1ter subjetivo. Os sinais s\u00e3o observados, portanto, teriam car\u00e1ter objetivo. O que um profissional da sa\u00fade precisa fazer \u00e9 juntar sinais (objetivos) e sintomas (subjetivos) em um conjunto de informa\u00e7\u00f5es que precisa ter objetividade.&nbsp;<br><br><\/p>\n<p>Para darmos significado \u00e0 sintomatologia (conjunto de sinais e sintomas), precisamos de referenciais que permitam ao profissional da sa\u00fade discernir o que seriam sinais e sintomas que indicam problemas e gravidades daqueles sinais e sintomas que n\u00e3o indicam gravidade ou que indicam pouca ou nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o. As Ci\u00eancias da Sa\u00fade chamam Semiologia esse conjunto de conhecimentos pr\u00e9vios que permite interpretar e dar significado aos sinais e sintomas.&nbsp;<br><br><\/p>\n<p>Mas quando o paciente se consulta, o que se apresenta \u00e9 basicamente uma \u201cfotografia\u201d do estado do paciente, ou seja, um momento espec\u00edfico e pontual. Incha\u00e7o e vermelhid\u00e3o, por exemplo, s\u00e3o evid\u00eancias de inflama\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 quanto tempo esses sinais est\u00e3o vis\u00edveis? O paciente caiu? Bateu? Ou n\u00e3o aconteceu nada? Como esses sinais apareceram? Quando? Cada uma dessas respostas leva para um racioc\u00ednio diferente: \u00e9 importante tentar detectar as causas \u2013 elas melhoram a caracteriza\u00e7\u00e3o dos sinais e dos sintomas. Ainda assim, esse racioc\u00ednio est\u00e1 vinculado \u00e0 dualidade entre fun\u00e7\u00e3o-disfun\u00e7\u00e3o e entre ordem-desordem. Nosso pensamento (e, portanto, nosso racioc\u00ednio) \u00e9 muito bin\u00e1rio. Haveria algo entre a fun\u00e7\u00e3o e a disfun\u00e7\u00e3o? Entre a ordem e a desordem?<br><br><\/p>\n<p>Um fisiologista famoso do s\u00e9culo XIX, Claude Bernard, \u00e9 bastante lembrado nos livros de Fisiologia Humana pela \u201cdescoberta\u201d do princ\u00edpio da homeostase \u2013 importante para o conhecimento de fisiologia humana que temos atualmente \u2013, que \u00e9 a tend\u00eancia do corpo em se manter em equil\u00edbrio \u2013 mas um equil\u00edbrio din\u00e2mico. O corpo tenta manter-se em equil\u00edbrio apesar das influ\u00eancias externas a que \u00e9 submetido. Por exemplo, quando nos alimentamos, digerimos os alimentos, absorvemos os nutrientes, os usamos para produzir novas estruturas, para reparar outras, para produzir energia e, com efeito, sobram res\u00edduos: tudo isso provocaria desequil\u00edbrio, mas nosso corpo, constantemente, se ajusta para manter um funcionamento fisiol\u00f3gico dentro de limites aceit\u00e1veis para a vida. A doen\u00e7a, nesse pensamento, seria o oposto dessa condi\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, a incapacidade de o corpo encontrar o equil\u00edbrio ajustando-se; seria o afastamento desse estado fisiol\u00f3gico. Decorre disso que estado fisiol\u00f3gico (funcionamento normal e saud\u00e1vel) e estado patol\u00f3gico (da doen\u00e7a) s\u00e3o dois estados opostos; o primeiro estudado pela Fisiologia e o segundo, pela Patologia.&nbsp;<br><br><\/p>\n<p>No entanto, Claude Bernard (o \u201cpai da fisiologia moderna\u201d) n\u00e3o pensava assim&#8230; Para ele n\u00e3o existiam dois estados, o fisiol\u00f3gico e o patol\u00f3gico; o estado dito patol\u00f3gico seria uma varia\u00e7\u00e3o do estado dito fisiol\u00f3gico e a homeostase seria um processo ou funcionamento entre esses dois estados e n\u00e3o apenas o equil\u00edbrio dentro dos n\u00edveis normais ou saud\u00e1veis: dessa forma, a no\u00e7\u00e3o de desordem e de disfun\u00e7\u00e3o estaria contemplada na no\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Ou seja, \u00e9 l\u00e1 entre ordem e desordem, entre fun\u00e7\u00e3o e disfun\u00e7\u00e3o que Claude Bernard concebe a homeostase!&nbsp;<br><br><\/p>\n<p>Olhem um pouco do pensamento de Claude Bernard: \u201cN\u00e3o \u00e9, pois, necess\u00e1rio que um dos fatos seja considerado um dist\u00farbio, especialmente porque n\u00e3o h\u00e1 dist\u00farbios ou anormalidade na natureza; tudo acontece segundo leis absolutas, ou seja, sempre normais e determinadas\u201d (Bernard, 1865, p. 19). E conclui mais para frente: \u201cpartindo do ponto de vista fisiol\u00f3gico, considera-se que a doen\u00e7a n\u00e3o existe no sentido de que seria apenas um caso particular do estado fisiol\u00f3gico\u201d (Bernard, 1865, p. 128). Claro que tudo que ele diz \u00e9 muito mais complexo do que essas duas frases e h\u00e1 aqui apenas um pequeno recorte, mas bastante revelador de suas ideias.&nbsp;<br><br><\/p>\n<p>Pensemos: como seriam a concep\u00e7\u00e3o e o tratamento das doen\u00e7as se elas fossem consideradas dentro de uma concep\u00e7\u00e3o normal e fisiol\u00f3gica e, portanto, fazendo parte da condi\u00e7\u00e3o normal e saud\u00e1vel das pessoas, em vez de ser algo que precisamos eliminar ou acabar \u2013 mas que nunca conseguimos? Ser\u00e1 que n\u00e3o ter\u00edamos menos rem\u00e9dios e mais pr\u00e1ticas integrativas? Fato \u00e9: nossa concep\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e doen\u00e7a seria completamente outra se as ideias de Claude Bernard tivessem se mantido dentro do pensamento fisiol\u00f3gico atual.&nbsp;<br><br><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, o s\u00e9culo XX foi o s\u00e9culo da medicaliza\u00e7\u00e3o, efeito desse processo de patologiza\u00e7\u00e3o. Quem ganha com isso? Mas isso \u00e9 uma outra conversa.&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif; font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );\"><br><\/span><\/p><p><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif; font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );\"><br><\/span><\/p><p><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif;\"><b>Refer\u00eancia:<\/b><\/span><\/p>\n<p>Bernard, Claude. Introduction \u00e0 l\u2019\u00e9tude de la medicine exp\u00e9rimentale. Paris: J. B. Bailli\u00e8re et Fills, 1865.<\/p>\n<div><br><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO que \u00e9 a doen\u00e7a\u201d parece uma pergunta simples, mas apenas parece. A doen\u00e7a pode ser considerada desordem ou disfun\u00e7\u00e3o, mas para entendermos a desordem ou a disfun\u00e7\u00e3o precisamos entender qual seria a ordem e qual seria a fun\u00e7\u00e3o. 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