{"id":2316,"date":"2022-11-10T07:53:33","date_gmt":"2022-11-10T10:53:33","guid":{"rendered":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/?p=2316"},"modified":"2022-11-10T08:01:47","modified_gmt":"2022-11-10T11:01:47","slug":"nossa-alimentacao-de-cada-dia-pode-afetar-nosso-comportamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/nossa-alimentacao-de-cada-dia-pode-afetar-nosso-comportamento\/","title":{"rendered":"Nossa alimenta\u00e7\u00e3o de cada dia pode afetar nosso comportamento?\u00a0"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2316\" class=\"elementor elementor-2316\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-dfee466 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"dfee466\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ffa56dc\" data-id=\"ffa56dc\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1dd3271 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"1dd3271\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9183062 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9183062\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-fa016d0\" data-id=\"fa016d0\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4dc3a2c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4dc3a2c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Ser\u00e1 que o que comemos afeta nosso comportamento? Muitos de n\u00f3s conhecem o inverso, ou seja, nosso comportamento afeta o que e como comemos. Quem de n\u00f3s, quando ansioso, nunca comeu\u00a0 um doce a mais do que deveria? ou quando muito nervoso ou triste perdeu completamente a fome?<br \/>Mas o que queremos conversar com voc\u00eas por aqui, \u00e9 o inverso, como nossos h\u00e1bitos alimentares podem afetar nosso n\u00edvel de ansiedade, nosso foco, nossa tomada de decis\u00f5es, por exemplo? <br \/>Queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o para um ponto importante, voc\u00ea j\u00e1 pensou que nossos h\u00e1bitos alimentares afetam nosso comportamento?<br \/><br \/>Daniel\u00a0 Kahneman citou em seu livro R\u00e1pido e Devagar um experimento muito interessante para avaliar o que afeta a tomada de decis\u00f5es de ju\u00edzes em tribunais. Fizeram uma pesquisa\u00a0 em 2011 (1), para analisar se havia diferen\u00e7as em\u00a0 decis\u00f5es judiciais em cortes americanas devido ao esgotamento mental dos ju\u00edzes ap\u00f3s horas de julgamentos; Eles mostraram dados muitos interessantes:\u00a0 H\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento\u00a0 de decis\u00f5es judiciais desfavor\u00e1veis\u00a0 para uma mesma causa, ap\u00f3s um tempo de sequ\u00eancia de julgamento. Eles descobriram que a porcentagem de decis\u00f5es favor\u00e1veis cai gradualmente de 65% para quase zero dentro de cada sess\u00e3o de decis\u00e3o no tribunal antes do almo\u00e7o e retorna abruptamente para 65% favor\u00e1vel ap\u00f3s um intervalo p\u00f3s refei\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>Os autores chamam a aten\u00e7\u00e3o que embora o foco deles tenha sido em decis\u00f5es judiciais de especialistas, suspeitam que as decis\u00f5es de outros especialistas em outros segmentos, como decis\u00f5es legislativas, decis\u00f5es m\u00e9dicas, decis\u00f5es financeiras e decis\u00f5es de admiss\u00e3o em universidades podem ser afetadas pelo mesmo mecanismo pelos tomadores de decis\u00e3o.<br \/>Do ponto de vista fisiol\u00f3gico, sabemos que nossas decis\u00f5es s\u00e3o afetadas pelo funcionamento do c\u00e9rebro, funcionamento esse que depende de n\u00edveis de glicose, glicose essa que s\u00f3 pode ser retirada exclusivamente da alimenta\u00e7\u00e3o. Os n\u00edveis adequados de glicose no sangue determinam nosso comportamento.Quando o n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no sangue flutua, aumenta ou cai, pode produzir sentimentos de raiva, ansiedade ou depress\u00e3o. Voc\u00ea pode sentir que suas emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o fora de seu controle. Muitos trabalhos t\u00eam mostrado que\u00a0 quedas de glicose em diab\u00e9ticos, por exemplo, causam comportamentos agressivos (3). Isso quer dizer que precisamos comer alimentos ricos em a\u00e7\u00facar ou que todo diab\u00e9tico ficar\u00e1 agressivo ou que a agressividade \u00e9 explicada apenas pela alimenta\u00e7\u00e3o? N\u00e3o, de forma alguma! Mas controlar os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue \u00e9 importante! Fato!<br \/><br \/>Existe uma \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o que estuda como os nutrientes afetam o funcionamento do c\u00e9rebro. Vamos falar aqui da neuronutri\u00e7\u00e3o. J\u00e1 ouviu falar? Neuronutri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea da Nutri\u00e7\u00e3o que estuda como os nutrientes afetam o funcionamento cerebral.<br \/><br \/>De acordo MORRIS (4), a dieta pode atuar atrav\u00e9s de v\u00e1rias vias que est\u00e3o implicadas na sa\u00fade mental. Uma dieta\u00a0 saud\u00e1vel cont\u00e9m uma grande variedade de\u00a0 compostos bioativos e fitoqu\u00edmicos que podem interagir beneficamente com o funcionamento cerebral. Por exemplo, verduras, vegetais e frutas cont\u00eam, al\u00e9m de vitaminas, minerais e fibras ben\u00e9ficas, uma alta concentra\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios polifen\u00f3is que parecem estar associados a taxas reduzidas de depress\u00e3o em mulheres mais velhas, potencialmente devido ao seu efeito anti-inflamat\u00f3rio e neuroprotetor (5). Em\u00a0 padr\u00f5es saud\u00e1veis de dieta \u00e9 abundante a quantidade de\u00a0 micronutrientes como\u00a0 as\u00a0 vitaminas do complexo B, os \u00e1cidos graxos\u00a0 \u00f4mega 3, minerais (por exemplo, zinco, magn\u00e9sio) e fibras (por exemplo, amido resistente), bem como outros componentes bioativos (por exemplo, probi\u00f3ticos) que s\u00e3o protetores de doen\u00e7as mentais (6,10).<br \/><br \/>A sociedade de psiquiatria australiana e da Holanda (Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists (RANZCP)\u00a0 publicou em 2020 diretrizes relacionadas ao estilo de vida para quem sofre de transtornos do humor (8).\u00a0 Essas diretrizes recomendam que a dieta, o exerc\u00edcio e a melhora do sono, juntamente com a cessa\u00e7\u00e3o do tabagismo, \u00e1lcool e outras subst\u00e2ncias, devem formar a base do gerenciamento do transtorno de humor, descrevendo-o como \u201cessencialmente inegoci\u00e1vel\u201d (8).<br \/>Uma meta an\u00e1lise realizada em 16 ensaios cl\u00ednicos randomizados envolvendo\u00a0 45.826 participantes que tiveram interven\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica para tratamento de depress\u00e3o e ansiedade, concluiu\u00a0 efeitos consistentemente significativos e positivos das interven\u00e7\u00f5es diet\u00e9ticas nos sintomas depressivos e efeitos positivos nos sintomas de ansiedade no grupo de mulheres (10).<br \/><br \/>Portanto, a alimenta\u00e7\u00e3o de produtos ultraprocessados, pobre em nutrientes como base alimentar\u00a0 pode levar a dist\u00farbios de comportamento. O jejum sem orienta\u00e7\u00e3o de um especialista em nutri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 indicado!\u00a0 <br \/><br \/>Al\u00e9m disso, nosso sistema nervoso central \u00e9 completamente ligado ao nosso intestino. Nosso intestino \u00e9 colonizado por micro-organismos tais como: bact\u00e9rias, fungos e v\u00edrus chamada de microbiota. A microbiota afeta a produ\u00e7\u00e3o de neurotransmissores\u00a0 que por sua vez afeta a comunica\u00e7\u00e3o entre os neur\u00f4nios. Pesquisas recentes tamb\u00e9m mostram que h\u00e1 um envolvimento do microbioma e funcionamento cerebral (9).<br \/><br \/>Dietas ricas em fibras, e gorduras saud\u00e1veis afetam de forma positiva o equil\u00edbro dessa microbiota e tamb\u00e9m o funcionamento do intestino. Caso o intestino apresente algum tipo de inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica sabe-se que isso pode afetar o c\u00e9rebro, e causar uma neuroinflama\u00e7\u00e3o. Alergias alimentares tamb\u00e9m podem causar uma resposta inflamat\u00f3ria intestinal e consequente uma inflama\u00e7\u00e3o cerebral (6)<br \/>Assim, dietas n\u00e3o saud\u00e1veis tamb\u00e9m s\u00e3o ricas em outros compostos que podem afetar negativamente o c\u00e9rebro, atrav\u00e9s do intestino.\u00a0 Por exemplo, elementos comumente encontrados em alimentos processados, como \u00e1cidos graxos saturados, ado\u00e7antes artificiais e emulsificantes, podem alterar o microbioma intestinal, o que pode ativar vias inflamat\u00f3rias. Agentes de cor artificial e conservante de benzoato de s\u00f3dio acrescentados pela ind\u00fastria nos alimentos\u00a0 t\u00eam sido associados ao aumento da hiperatividade em crian\u00e7as de 3 anos e 8-9 anos (2).<br \/><br \/>Portanto, considerar a nutri\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica terap\u00eautica para ajudar na gest\u00e3o da sa\u00fade mental e dist\u00farbios comportamentais precisa ser considerada base fundamental de um tratamento.Outros aspectos intrapessoais, sociais e at\u00e9 ambientais v\u00e3o afetar? Claro, devem ser considerados. Entretanto, se n\u00e3o olharmos a base antes, estaremos muitas vezes medicando um paciente,\u00a0 tornando ele dependente da medica\u00e7\u00e3o sem olhar a causa.<br \/><br \/>Quando ouvimos a express\u00e3o \u201ca decis\u00e3o judicial depende do que o juiz comeu no caf\u00e9 da manh\u00e3\u201d, hoje sabemos que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma brincadeira, h\u00e1 muita ci\u00eancia por tr\u00e1s que mostra que\u00a0 h\u00e1 sentido nessa express\u00e3o. Que os m\u00e9dicos, psiquiatras nossos de cada dia, se sensibilizem da import\u00e2ncia de um trabalho multidisciplinar com nutricionista para entender que nosso comportamento tamb\u00e9m tem causas fisiol\u00f3gicas.<br \/><br \/>A ci\u00eancia precisa avan\u00e7ar para nos dar mais respostas, h\u00e1 muitos outros aspectos relacionados de como a dieta\u00a0 pode afetar nosso comportamento, nos acompanhe pois falaremos disso aqui na Ecoscientia.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-288b0fe elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"288b0fe\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-736eaa1\" data-id=\"736eaa1\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-b30a529 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b30a529\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-b4eef6d\" data-id=\"b4eef6d\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2b74ee7 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2b74ee7\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tRefer\u00eancias:<br><br>DANZIGER, S.; LEVAV, J.; AVNAIM-PESSO, L. Extraneous factors in judicial decisions. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, v. 108, n. 17, p. 6889\u20136892, 2011.<br><br>MCCANN, D. et al. Food additives and hyperactive behaviour in 3-year-old and 8\/9-year-old children in the community: a randomised, double-blinded, placebo-controlled trial. Lancet, v. 370, n. 9598, p. 1560\u20131567, 2007<br><br>BALHARA, Y. P. S. Diabetes and psychiatric disorders. Indian journal of endocrinology and metabolism, v. 15, n. 4, p. 274\u2013283, 2011..<br><br>MORRIS, G. et al. A model of the mitochondrial basis of bipolar disorder. Neuroscience and biobehavioral reviews, v. 74, n. Pt A, p. 1\u201320, 2017.<br><br>ABBASALIZAD FARHANGI, M.; DEHGHAN, P.; JAHANGIRY, L. Mental health problems in relation to eating behavior patterns, nutrient intakes and health related quality of life among Iranian female adolescents. PloS one, v. 13, n. 4, p. e0195669, 2018.<br><br>CARREIRO, D. Alimenta\u00e7\u00e3o e Dist\u00farbios de Comportamento Publica\u00e7\u00e3o Independente, 4o edi\u00e7\u00e3o, (2012)<br><br>CHANG, S.-C. et al. Dietary flavonoid intake and risk of incident depression in midlife and older women. The American journal of clinical nutrition, v. 104, n. 3, p. 704\u2013714, 2016<br><br>MALHI, G. S. et al. The 2020 Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists clinical practice guidelines for mood disorders. The Australian and New Zealand journal of psychiatry, v. 55, n. 1, p. 7\u2013117, 2021<br><br>MARX, W. et al. Nutritional psychiatry: the present state of the evidence. The Proceedings of the Nutrition Society, v. 76, n. 4, p. 427\u2013436, 2017.<br><br>FIRTH, J. et al. The effects of dietary improvement on symptoms of depression and anxiety: A meta-analysis of randomized controlled trials. Psychosomatic medicine, v. 81, n. 3, p. 265\u2013280, 2019.<br><br>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que o que comemos afeta nosso comportamento? Muitos de n\u00f3s conhecem o inverso, ou seja, nosso comportamento afeta o que e como comemos. Quem de n\u00f3s, quando ansioso, nunca comeu&nbsp; um doce a mais do que deveria? ou quando muito nervoso ou triste perdeu completamente a fome? 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