{"id":1255,"date":"2022-01-03T16:39:55","date_gmt":"2022-01-03T19:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/?p=1255"},"modified":"2022-01-03T16:58:17","modified_gmt":"2022-01-03T19:58:17","slug":"neurociencia-e-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/neurociencia-e-ansiedade\/","title":{"rendered":"Neuroci\u00eancia e ansiedade"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1255\" class=\"elementor elementor-1255\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-344ae78 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"344ae78\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-a2a27ab\" data-id=\"a2a27ab\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-046a1b2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"046a1b2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4><b>O que \u00e9 neuroci\u00eancia e qual sua rela\u00e7\u00e3o com nossas emo\u00e7\u00f5es?<\/b><\/h4>\n<p><\/p>\n<div><b>&nbsp;<\/b><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 80 o neurocientista americano Joseph LeDoux e colaboradores fizeram descobertas impressionantes sobre os caminhos neurais percorridos por nossas emo\u00e7\u00f5es em nosso c\u00e9rebro. Os avan\u00e7os nessa \u00e1rea demostraram que nosso c\u00e9rebro envia informa\u00e7\u00f5es por \u201catalhos\u201d para algumas estruturas do sistema nervoso.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe o que isso significa? Que nossas emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de percorrer ao mesmo tempo, caminhos diferentes, acionando diferentes n\u00edveis dos nossos circuitos cerebrais e, s\u00f3 ent\u00e3o, iniciar uma resposta.<br><br><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o mapeamento do caminho percorrido por nossas emo\u00e7\u00f5es em nosso c\u00e9rebro abre um novo olhar para os neurocientistas que t\u00eam afirmado que as nossas emo\u00e7\u00f5es t\u00eam poder para superar nossa raz\u00e3o<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><h4 style=\"text-align: justify;\"><b>O que \u00e9 Neuroci\u00eancia? <\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a ci\u00eancia que estuda nosso sistema nervoso. A neuroci\u00eancia veio integrar diferentes disciplinas que tem esse tema em comum, como a neurobiologia, a neuroanatomia, neurofisiologia, neurofarmacologia e inclusive a psicologia. \u00c1rea relativamente nova da ci\u00eancia, surgiu em 1970 e trouxe uma sofistica\u00e7\u00e3o para os estudos relacionados ao sistema nervoso principalmente por integrar-se aos outros ramos da psicologia como a psicologia cognitiva e comportamental proporcionando novas perspectivas no olhar sobre nossa mente.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais especificamente, a neuroci\u00eancia \u00e9 a ci\u00eancia que estuda nosso sistema nervoso, a forma como ele funciona, seu processo de desenvolvimento e algumas altera\u00e7\u00f5es que possam ocorrer ao longo da nossa vida, advindos de est\u00edmulos internos e externos e de algumas patologias gen\u00e9ticas ou provenientes da idade.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, visando estudar melhor cada ramo interligado a psicologia, as pesquisas em neuroci\u00eancia se subdividiram em cinco campos:<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">A <b>Neuroci\u00eancia comportamental<\/b>, que foca no estudo dos fen\u00f4menos da&nbsp;mente, individualidades como a forma\u00e7\u00e3o da personalidade e da mem\u00f3ria;<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><b>A Neuroci\u00eancia cognitiva<\/b>, que est\u00e1 mais centrada em estudos relacionados ao desencadeamento dos nossos pensamentos, mem\u00f3ria e a din\u00e2mica do aprendizado. A nossa percep\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o;<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neurofisiologia<\/b> que&nbsp;investiga nosso sistema nervoso central e o sistema nervoso perif\u00e9rico e suas desordens;<br><b style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif;\">&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neuroanatomia<\/b>, que foca na anatomia das estruturas e na avali\u00e7\u00e3o dos&nbsp;impactos de les\u00f5es;<br><b style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif;\">&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neuropsicologia<\/b> que est\u00e1 mais focada na an\u00e1lise da base cerebral para compreender como se d\u00e3o as respostas e atitudes complexas do organismo, incluindo&nbsp;dist\u00farbios cognitivos, emocionais e comportamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><h4 style=\"text-align: justify;\"><b>Qual import\u00e2ncia da neuroci\u00eancia para nossas emo\u00e7\u00f5es?<br><br><\/b><\/h4>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O avan\u00e7o na \u00e1rea da neuroci\u00eancia cognitiva e comportamental tem proporcionado melhor compreens\u00e3o dos processos de desencadeamento e respostas das nossas emo\u00e7\u00f5es pelo nosso sistema nervoso.&nbsp; Desta forma, a proposi\u00e7\u00e3o de terapias cognitivas e comportamentais mais assertivas<sup>2<\/sup>, para algumas doen\u00e7as como a <b>ansiedade e seus transtornos<\/b>, vem sendo empregada com sucesso.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crescente a cada dia, a ansiedade hoje \u00e9 considerada um dos maiores problemas psicol\u00f3gicos que afeta a sa\u00fade mental n\u00e3o s\u00f3 adultos e jovens, mas tamb\u00e9m de crian\u00e7as. A ansiedade \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o gerada como uma resposta natural do nosso corpo ao medo, ao estresse e, em seu estado normal \u00e9 bastante saud\u00e1vel, pois muitas vezes nos auxilia a alcan\u00e7ar objetivos e a realizar nossos projetos. Mas, se muito frequente e com muita intensidade, a ansiedade pode se transformar em um problema patol\u00f3gico desencadeando diversos tipos de transtornos como o de ansiedade generalizada, o depressivo, o de personalidade, o de p\u00e2nico, dentre outros<sup>3<\/sup>.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tem o maior n\u00famero de pessoas ansiosas no mundo, s\u00e3o 18,6 milh\u00f5es de brasileiros (9,3%), segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), 2020<sup>4<\/sup>. Dados preliminares de uma pesquisa realizada em maio de 2020 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para avaliar o impacto da pandemia do COVID 19 na sa\u00fade mental dos brasileiros, revelou que a ansiedade foi o transtorno mental detectado na maioria dos participantes. Dos 17.491 indiv\u00edduos participantes da pesquisa, com idade entre 18 a 92 anos, em<br>86,5% foram verificados uma elevada propor\u00e7\u00e3o de ansiedade. A maioria dos participantes era do sexo feminino (71%), a maior para dos entrevistados residiam em bairros populares (44,6%) e tinham uma renda mensal variando entre R$1.049,00 e R$2.096,00 (24,3%)<sup>4<\/sup>.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><h4><b>E voc\u00ea sabe como se processa a emo\u00e7\u00e3o no nosso c\u00e9rebro? <\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso c\u00e9rebro, ao captar um est\u00edmulo externo, uma lembran\u00e7a ou mem\u00f3ria que desencadeia o medo, emite informa\u00e7\u00f5es que ativam estruturas espec\u00edficas do nosso sistema l\u00edmbico como o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, o t\u00e1lamo, amigdala, hipot\u00e1lamo e o hipocampo. Essas estruturas s\u00e3o capazes de acionar o eixo hipot\u00e1lo-hip\u00f3fise-suprarrenais (HPA) do sistema end\u00f3crino, ativando diretamente nossos \u00f3rg\u00e3os de forma volunt\u00e1ria e involunt\u00e1ria, desencadeando respostas fisiol\u00f3gicas do nosso corpo em fra\u00e7\u00f5es de segundos, tais como taquicardia, p\u00e9s e m\u00e3os gelados, respira\u00e7\u00e3o ofegante ou ao contr\u00e1rio, sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o consegue respirar, press\u00e3o arterial aumentada, entre outras, em resposta ao est\u00edmulo enviado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<h4><b>Mas qual o caminho percorrido pela emo\u00e7\u00e3o? <\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois caminhos podem ser percorridos de forma simult\u00e2nea. Um percurso ativa uma resposta mais lenta e o outro uma resposta mais r\u00e1pida, vai depender da intensidade do est\u00edmulo recebido.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma primeira via de resposta mais lenta, quando o est\u00edmulo \u00e9 recebido pelo nosso c\u00e9rebro ele desencadeia um estado de alerta mais relacionado a aten\u00e7\u00e3o, a um susto. Assim, o c\u00f3rtex visual ativa o t\u00e1lamo e nessa via r\u00e1pida, a informa\u00e7\u00e3o se dirige \u00e0 amigdala cerebral (estrutura localizada em nosso c\u00e9rebro que recebe todas as informa\u00e7\u00f5es sensoriais e auditivas e, que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela resposta f\u00edsica do nosso corpo, ela \u00e9 o elo entre os processos cognitivos e comportamentais<sup>4<\/sup>) que processa a informa\u00e7\u00e3o e ativa o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, projetando as informa\u00e7\u00f5es para o hipot\u00e1lamo. O hipot\u00e1lamo ent\u00e3o, estimula as gl\u00e2ndulas suprarrenais liberando os horm\u00f4nios cortisol e adrenalina em resposta ao um aumento do n\u00edvel sangu\u00edneo elevando a press\u00e3o arterial deixando o nosso corpo em estado de alerta, preparado para lutar contra o estresse.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma segunda via de resposta mais r\u00e1pida, quando o est\u00edmulo recebido j\u00e1 desencadeia o medo relacionado ao p\u00e2nico, o c\u00f3rtex visual (localizado na parte de tr\u00e1s do c\u00e9rebro) envia uma mensagem para a amigdala, que estimula o hipot\u00e1lamo que ativa a hip\u00f3fise secretando os horm\u00f4nios em resposta a emerg\u00eancia. Atrav\u00e9s da amigdala, sinais s\u00e3o emitidos ao longo da medula espinhal para o sistema nervoso aut\u00f4nomo ativando respostas fisiol\u00f3gicas do nosso corpo, inclusive nosso <b>sistema nervoso ent\u00e9rico<\/b><sup>5<\/sup>.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">A adrenalina \u00e9 lan\u00e7ada na corrente sangu\u00ednea atrav\u00e9s do sistema nervoso central simp\u00e1tico pelas c\u00e9lulas de neur\u00f4nios localizadas nas regi\u00f5es tor\u00e1cica e lombar da medula espinha<sup>6<\/sup> ativando uma s\u00e9rie de componentes do mecanismo fisiol\u00f3gico e desencadeando v\u00e1rios sintomas relacionados \u00e0 ansiedade, tais como taquicardia, m\u00e3os e p\u00e9s suando frio, respira\u00e7\u00e3o ofegante, entre outros.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><h4><b>Sistema nervoso ent\u00e9rico, voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar? <\/b><\/h4>\n<p><b><br><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 nome dado ao sistema nervoso do intestino. Dotado de 100 a 500 milh\u00f5es de neur\u00f4nios recebe o nome de nosso \u201csegundo c\u00e9rebro\u201d e apesar de ser dotado do seu pr\u00f3prio sistema nervoso local e ser capaz de tomar algumas decis\u00f5es sozinho, ele est\u00e1 conectado ao nosso c\u00e9rebro. Esse eixo intestino-c\u00e9rebro se comunica atrav\u00e9s de tr\u00eas vias: nervo vago, hormonal e imunol\u00f3gica. Mas estudos tem demostrado que a liga\u00e7\u00e3o por meio do nervo vago \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 80% dessa comunica\u00e7\u00e3o<sup>6<\/sup>.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa liga\u00e7\u00e3o por meio do nervo vago se d\u00e1 atrav\u00e9s do sistema nervoso central, por meio de termina\u00e7\u00f5es ganglionares dos neur\u00f4nios, quando a amigdala \u00e9 ativada ela tamb\u00e9m provoca a secre\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios noradrenalina e adrenalina que preparam o corpo para uma resposta de emerg\u00eancia. Esses horm\u00f4nios ativam o nervo vago que transmite informa\u00e7\u00e3o para o nosso sistema nervoso ent\u00e9rico provocando rea\u00e7\u00f5es diante de alguma situa\u00e7\u00e3o de estresse ou sentimento de emo\u00e7\u00e3o aumentada, como por exemplo, acidez estomacal, vontade de ir ao banheiro e at\u00e9 mesmo enjoo.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso corpo possui uma complexa rede de comunica\u00e7\u00e3o que est\u00e1 envolvida no recebimento, processamento e envio de respostas.&nbsp; Essa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 desencadeada por rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, por meio dos neurotransmissores e horm\u00f4nios, s\u00e3o eles que comandam nosso corpo frente a emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><h4><b>Como os neurotransmissores e os horm\u00f4nios est\u00e3o envolvidos com nossas emo\u00e7\u00f5es? <\/b><\/h4>\n<p><b><br><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os neurotransmissores s\u00e3o mensageiros qu\u00edmicos que transportam os sinais entre os neur\u00f4nios por meio de sinapses. J\u00e1 os horm\u00f4nios s\u00e3o produzidos pela gl\u00e2ndula hip\u00f3fise e percorrem nosso corpo pela corrente sangu\u00ednea. Ambos s\u00e3o respons\u00e1veis por uma rede de comunica\u00e7\u00e3o do nosso corpo que estimula e equilibra as respostas gerenciando todo nosso funcionamento.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando se trata de emo\u00e7\u00e3o, os neurotransmissores e horm\u00f4nios s\u00e3o respons\u00e1veis pelas respostas fisiol\u00f3gicas do nosso corpo desempenhando um papel importante para a homeostase do nosso organismo. Vamos conhecer alguns deles?<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <b>serotonina (5-HT)<\/b> e o \u00e1cido <b>gama-aminobut\u00edrico (GABA):<\/b> s\u00e3o neurotransmissores inibit\u00f3rios, isso significa que restringem o potencial de a\u00e7\u00e3o em um neur\u00f4nio receptor o que contribui para o controle da ansiedade. Ambos atuam na regula\u00e7\u00e3o da amigdala para as respostas de defesa do nosso c\u00e9rebro contra amea\u00e7as que desencadeiam os sintomas da ansiedade e do medo.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando nosso c\u00e9rebro produz baixos n\u00edveis de serotonina ocorre um bloqueio no seu transporte, ou seja, ocorre uma inibi\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios que leva ao bloqueio da sua s\u00edntese e consequentemente no comando de rea\u00e7\u00e3o e defesa dado pela amigdala para as outras estruturas e sistemas do nosso corpo. O que promove uma sensa\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar, por esse motivo a serotonina \u00e9 conhecida como o horm\u00f4nio do prazer. Al\u00e9m disso, est\u00e1 relacionado com a regula\u00e7\u00e3o do humor e do sono.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>GABA:<\/b> \u00e9 o principal neurotransmissor inibit\u00f3rio do sistema nervoso central, tamb\u00e9m diminui a a\u00e7\u00e3o de numerosos neur\u00f4nios que atuam na ativa\u00e7\u00e3o da amigdala, hipocampo e cortes pr\u00e9-frontal levando a diminui\u00e7\u00e3o da ansiedade, aumentando a sensa\u00e7\u00e3o de relaxamento e calma.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Dopamina:<\/b> quando produzida pelo sistema nervoso, atua como neurotransmissor e quando produzida pelas gl\u00e2ndulas suprarrenais, como horm\u00f4nio. Em situa\u00e7\u00e3o de estresse tem seus n\u00edveis aumentados levando o corpo a um estado de hipervigil\u00e2ncia. Associada a sensa\u00e7\u00e3o e bem-estar e prazer (sexual), tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o motora do nosso corpo. Altos n\u00edveis de dopamina em nosso corpo de forma constante pode desencadear a esquizofrenia, j\u00e1 baixos n\u00edveis, a doen\u00e7a de Parkinson.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Noradrenalina:<\/b> respons\u00e1vel em manter o corpo em alerta, est\u00e1 relacionada com a regula\u00e7\u00e3o do humor, vig\u00edlia, processos cognitivos como aprendizagem, mem\u00f3ria e criatividade.&nbsp; Em altos n\u00edveis no c\u00e9rebro aumenta o fluxo sangu\u00edneo deixando o c\u00e9rebro em estado de concentra\u00e7\u00e3o e alerta. Rem\u00e9dios usados para tratar transtornos de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, hiperatividade, depress\u00e3o e ansiedade tem como princ\u00edpio ativo o aumento dos n\u00edveis de noradrenalina no c\u00e9rebro.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Adrenalina<\/b>: atua como neurotransmissor quando produzida pelo c\u00e9rebro, e horm\u00f4nio quando liberada pelas gl\u00e2ndulas suprarrenais. Em situa\u00e7\u00f5es de forte emo\u00e7\u00e3o ou alto n\u00edvel de estresse, excita\u00e7\u00e3o ou medo, esse horm\u00f4nio \u00e9 liberado como um mecanismo de defesa. Lan\u00e7ado na corrente sangu\u00ednea estimula o aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca, dilata os pulm\u00f5es aumentando a oxigena\u00e7\u00e3o, aumenta o fluxo sangu\u00edneo nos m\u00fasculos, ele prepara o corpo para lutar ou fugir da situa\u00e7\u00e3o a sua frente.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Acetilcolina (ACh):<\/b> \u00e9 um neurotransmissor que tem origem no tronco encef\u00e1lico e projeta-se para as outras estruturas do sistema l\u00edmbico, est\u00e1 relacionado com os processos cognitivos, aprendizado, aten\u00e7\u00e3o e principalmente com a mem\u00f3ria.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Glutamato:<\/b> \u00e9 o principal neurotransmissor excitat\u00f3rio e est\u00e1 presente em todo sistema nervoso central. Est\u00e1 relacionado a fun\u00e7\u00f5es cognitivas como o aprendizado e a mem\u00f3ria. Altos n\u00edveis de glutamato no sistema nervoso central podem levar os neur\u00f4nios a morte e causar s\u00e9rios danos cerebrais ou derrames.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><h4><b>Qual a import\u00e2ncia da neuroci\u00eancia e a terapia cognitivo comportamental? <\/b><\/h4>\n<p><b><br><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos recentes t\u00eam evidenciado que a neuroci\u00eancia e a terapia cognitiva comportamental podem auxiliar no tratamento da ansiedade e dos seus transtornos. Pesquisas tem constatado que nosso c\u00e9rebro adulto \u00e9 dotado de plasticidade, ou seja, pode ser moldado<sup>8, <\/sup>pode se reorganizar e construir novas conex\u00f5es neurais e assim ajustar suas respostas de acordo com os novos est\u00edmulos recebidos. Ou seja, desenvolver novos h\u00e1bitos e substituir os antigos.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Modifica\u00e7\u00f5es neurais por meio do aprendizado e desenvolvimento de novas habilidades e essas novas conex\u00f5es s\u00e3o traduzidas em novos comportamentos que estimulam o desenvolvimento cognitivo e a regula\u00e7\u00e3o dos processos emocionais<sup>8,9<\/sup>.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ansiedade nos deixa vulner\u00e1vel e na maioria das vezes amplia nossas sensa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o interpretadas como perigo, o que nos leva a desenvolver pensamentos negativos fortalecendo essa sensa\u00e7\u00e3o de perigo e aumentando a ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental utiliza t\u00e9cnicas que auxiliam na reprograma\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro possibilitando a cria\u00e7\u00e3o de novos padr\u00f5es de pensamento e comportamento, permitindo maior equil\u00edbrio neurol\u00f3gico diante de situa\u00e7\u00f5es emocionais do nosso dia a dia<sup>10,11<\/sup>.<br><br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, a neuroci\u00eancia tem muito a contribuir com o conhecimento das nossas emo\u00e7\u00f5es e principalmente para o desenvolvimento de estrat\u00e9gias e t\u00e9cnicas voltadas para terapia cognitivo-comportamental e assim contribuir para o controle da ansiedade e de seus transtornos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>Refer\u00eancias:<br><br><o:p><\/o:p><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">1- Goleman, Daniel. Intelig\u00eancia emocional: a teoria revolucionaria que define o que \u00e9 ser inteligente. <span lang=\"EN-GB\">Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. 383p<br><br><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span lang=\"EN-GB\">2- McNally RJ. Mechanisms of exposure therapy: how neuroscience can improve psychological treatments for anxiety disorders. Clin Psychol Rev. 2007 Jul;27 (6):750-9. doi: 10.1016\/j.cpr.2007.01.003. Epub 2007 Jan 18. PMID: 17292521.<br><br><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">3- Mochcovitch MD, da Rocha Freire RC, Garcia RF, Nardi AE. <span lang=\"EN-GB\">A systematic review of fMRI studies in generalized anxiety disorder: evaluating its neural and cognitive basis. J Affect Disord. 2014;167:336-42. doi: 10.1016\/j.jad.2014.06.041. Epub 2014 Jul 2. Erratum in: J Affect Disord. 2014<br>Oct;167():259-60. PMID: 25020268.<br><br><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span lang=\"EN-GB\">4- Goularte JF, et al.,. COVID-19 and mental health in Brazil: Psychiatric symptoms in the general population. J Psychiatr Res. 2021 Jan;132:32-37. doi: 10.1016\/j.jpsychires.2020.09.021. Epub 2020 Sep 30. PMID: 33038563; PMCID: PMC7527181.<br><br><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span lang=\"EN-GB\">5- Vanderson Esperidi\u00e3o-AntonioI; et all. Neurobiology of the emotions Arch. <\/span>Clin. Psychiatry (S\u00e3o Paulo) 35 (2),&nbsp;2008<b><span style=\"font-size: 10.5pt; line-height: 115%; font-family: Arial, sans-serif; color: rgb(64, 61, 57); background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;\"> <\/span><\/b><span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0101-60832008000200003\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0101-60832008000200003<\/a><br><\/span><br><o:p><\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">6- Naidoo, Uma. Seu c\u00e9rebro bem alimentado: Um guia indispens\u00e1vel para os surpreendentes alimentos que combatem dist\u00farbios como depress\u00e3o, ansiedade, dem\u00eancia, TOC, ins\u00f4nia e mais. Tradu\u00e7\u00e3o Andr\u00e9 Fontenelle. 1\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Fontanar, 2021.<br><br><o:p><\/o:p><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 7.5pt; text-align: justify; line-height: normal; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;\">7- Qin, J., Li, R., Raes, J., Arumugam, M., Burgdorf, K. S., Manichanh, C., \u2026 &amp; Mende, D. R. (2010). <span lang=\"EN-GB\">A human gut microbial gene catalogue established by metagenomic sequencing. nature, 464(7285), 59.<br><br><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 7.5pt; text-align: justify; line-height: normal; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;\"><span lang=\"EN-GB\">8- Spencer, Nick J., et al. \u201cIdentification of a Rhythmic Firing Pattern in the Enteric Nervous System That Generates Rhythmic Electrical Activity in Smooth Muscle.\u201d Journal of Neuroscience, Society for Neuroscience, 13 June 2018, www.jneurosci.org\/content\/38\/24\/5507.<br><br><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">9-<span style=\"font-size: 9.5pt; line-height: 115%; font-family: Helvetica, sans-serif; color: rgb(17, 17, 17); background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;\"> <\/span>Muszkat M., &amp; Mello, C. (2012). Neuroplasticidade e reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica. In: J. Abrisqueta-Gomez (Ed). Reabilita\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica: abordagem interdisciplinar e modelos conceituais na pr\u00e1tica cl\u00ednica. (pp. 56-71). Porto Alegre: Artmed.<br><br><o:p><\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">10- Porto, P., Oliveira, L.D., Volchan, E., Mari, J.D., Figueira, I., &amp; Ventura, P. (2008). Evid\u00eancias cient\u00edficas das neuroci\u00eancias para a terapia cognitivo-comportamental. DOI:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-863X2008000300006\"><span style=\"color: windowtext;\">10.1590\/S0103-863X2008000300006<\/span><\/a><o:p><\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span lang=\"EN-GB\" style=\"font-family: &quot;Segoe UI&quot;, sans-serif; color: rgb(33, 33, 33); background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;\"><br>11-<\/span><span lang=\"EN-GB\">Kindt M. A behavioural neuroscience perspective on the aetiology and treatment of anxiety disorders. Behav Res Ther. 2014 Nov;62:24-36. doi: 10.1016\/j.brat.2014.08.012. Epub 2014 Sep 10. PMID: 25261887.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span><span lang=\"EN-GB\">&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align:justify\"><span lang=\"EN-GB\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\n<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 neuroci\u00eancia e qual sua rela\u00e7\u00e3o com nossas emo\u00e7\u00f5es? &nbsp; Na d\u00e9cada de 80 o neurocientista americano Joseph LeDoux e colaboradores fizeram descobertas impressionantes sobre os caminhos neurais percorridos por nossas emo\u00e7\u00f5es em nosso c\u00e9rebro. Os avan\u00e7os nessa \u00e1rea demostraram que nosso c\u00e9rebro envia informa\u00e7\u00f5es por \u201catalhos\u201d para algumas estruturas do sistema nervoso.&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/neurociencia-e-ansiedade\/\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Neuroci\u00eancia e ansiedade<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1269,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1255","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","entry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1255"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1270,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1255\/revisions\/1270"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiaalimentesuamente.com.br\/ecoscientia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}